Tava lendo um pouco de Sêneca esses dias e essa frase me pegou de jeito.

Na hora, foi impossível não pensar na nossa rotina na veterinária, principalmente naquela fase em que a gente bate ali os 7 ou 8 anos de formado.
Quando a gente pega o CRMV, a vontade é abraçar o mundo. A gente faz plantão atrás de plantão, corre de uma clínica pra outra, quer abraçar todas as áreas. O foco é ganhar mão (e pagar os boletos, claro). A gente vai meio que no automático, sendo levado pela rotina.
Mas chega um momento, e quase sempre é nessa marca dos 7 ou 8 anos, que o cansaço bate diferente. Aquela energia do recém-formado dá lugar a uma crise: “tô fazendo isso tudo pra quê?”. É a fase que muito colega bom pensa em largar a profissão.
E é bem o que o Sêneca fala. Se você não parar para definir qual é o seu porto – se é focar em uma especialidade, ter a sua própria clínica, ou simplesmente ter qualidade de vida e conseguir jantar em casa todo dia –, a gente vira refém.
Qualquer plantão a mais ou emergência fora de hora vira um vento te jogando pra qualquer lado. Você só trabalha muito, mas não sai do lugar.
A veterinária é uma profissão maravilhosa, mas ela te engole se você não souber pra onde tá indo. Assumir o controle dá trabalho e às vezes assusta, mas é o único jeito de não se perder no meio do caminho. Fica a reflexão pra quem tá nessa fase.
Marcio Mota.







