Entendendo o Reovírus Aviário – Da origem ao diagnóstico.

O reovírus aviário (ARV) passou a ser, especialmente nos últimos anos, um dos mais relevantes patógenos a desafiar os plantéis avícolas. Isso se deve, sobretudo, ao fato de que, em galinhas, o ARV está associado a problemas, como artrite viral, síndromes da má absorção, refugagem e doenças entéricas e respiratórias, impactando diretamente não só os resultados zootécnicos, mas também sendo um dos principais responsáveis por condenações nos abatedouros.
Qual é a origem do nome reovírus?
A primeira detecção do ARV ocorreu em 1954, em casos de tenossinovite em lotes de frangos de corte, com lesões nas articulações que não eram controladas com o uso de antibióticos. No Brasil, os primeiros relatos se deram em meados dos anos 1970. O reovírus aviário, de acordo com a classificação taxonômica, é membro do gênero Orthoreovirus, da família Sipnareoviridae. A família Reoviridae contém 15 gêneros e 75 espécies, isoladas de diversos mamíferos, aves, répteis, peixes, artrópodes, plantas e fungos.

REO vem do acrônimo em inglês Respiratory Enteric Orphan (órfão respiratório entérico), recebendo essa denominação após o isolamento de uma cepa do vírus em um quadro entérico e respiratório não associado a nenhuma doença conhecida (por essa razão, órfão). É um vírus não envelopado, composto de um capsídeo icosaédrico duplo concêntrico, contendo dez segmentos genômicos de RNA fita dupla (3 grandes – L, 3 médios – M e 4 pequenos – S) que codificam três categorias de proteínas: lambda (λ), mi (μ) e sigma (σ). O segmento S1 codifica a proteína sigma C (σ-C), responsável pela ligação primária à célula hospedeira e indução da produção de anticorpos neutralizantes..

Como o ARV é classificado?
A proteína sigma C (σ-C) é responsável pela classificação e sorotipagem do patógeno, resultado de sua intensa recombinação gênica e, por conseguinte, altas taxas de mutações e rearranjos genéticos. Recentemente, sete genótipos (clusters I, II, III, IV, V, VI e VII) foram descritos, com base na sequência gênica dessa proteína.

No entanto, a variabilidade dentro dos genótipos ainda é alta, e genótipos semelhantes também podem causar patologias diferentes. Um ponto a se considerar é que outras proteínas do capsídeo externo podem desempenhar um papel na antigenicidade dos vírus – por exemplo, lambda (λ) e mi (µ). Portanto, essa classificação molecular ainda pode e deverá ser aprimorada.
De que formas o ARV é transmitido?
O vírion é muito estável e pode sobreviver por semanas no ambiente com pouca perda de infectividade. Resiste a uma ampla variação de temperatura, pH e desinfetantes, dificultando ainda mais os esforços de controle. A disseminação e contaminação ocorrem por via fecal-oral ou vertical.

A infecção se dá via trato respiratório, trato digestivo ou por lesões na pele. Embora nenhum tecido seja considerado alvo específico, há uma maior facilidade de replicação no intestino, nas articulações, no fígado e no pâncreas.
Há relatos de que um estado de portador (latência) pode ocorrer em reprodutoras, quando estas são infectadas ainda jovens. Nesses casos específicos, o vírus permanece latente até a idade adulta, quando volta a se replicar e causar lesões nas tonsilas e articulações.
Como diagnosticar o ARV?
O primeiro ponto é: o diagnóstico definitivo do reovírus aviário é muito difícil. Isso é devido ao fato de que enterites, refugagens e problemas locomotores podem ter origem multifatorial, o que faz com que o diagnóstico presuntivo se baseie em sinais clínicos e lesões macroscópicas. Sorologia positiva? Isolamento? Nenhum método é conclusivo de forma isolada, mas podem ser bons indicativos da presença e existência de atividade viral.

Fonte: Zoetis.







