“A culpa é do cavalo”.

Essa é uma das frases que sempre me incomodou.
Porque, a partir do momento em que escolhemos lidar com um cavalo — e principalmente montar nele — a responsabilidade também passa a ser nossa.
Responsabilidade de entender as dificuldades que aparecem.
Responsabilidade de nos adaptar ao andamento, ao corpo e à natureza daquele cavalo.
Quantas vezes eu escuto:
“Esse cavalo é ruim de andamento.”
“Você pula na sela porque o cavalo é duro.”
E quase nunca a pergunta vem para o lugar certo:
o nosso corpo.
Existe técnica.
Existe metodologia.
Existe consciência corporal.
Existe biomecânica.
Hoje existem inúmeras estratégias que nos permitem montar melhor, acompanhar melhor e interferir menos.
Entender que cada cavalo tem uma natureza, um movimento, uma forma própria de se expressar.
É claro que podemos ter preferências por raças, por tipos de andamento, por estilos de montaria — isso não é o problema.
O problema é terceirizar uma falta de habilidade, de compreensão ou de organização do próprio corpo.
Antes de culpar a embocadura, a sela, o estilo ou a raça…
talvez seja hora de olhar um pouco mais para nós.
Porque, muitas vezes, o cavalo não é o problema.
Ele só está respondendo ao que sente.
Você já se pegou culpando o cavalo por algo que hoje entende diferente?
Mayara Verde.







