“A culpa é do cavalo”.

“A culpa é do cavalo”.
Essa é uma das frases que sempre me incomodou.
Porque, a partir do momento em que escolhemos lidar com um cavalo — e principalmente montar nele — a responsabilidade também passa a ser nossa.
Responsabilidade de entender as dificuldades que aparecem.
Responsabilidade de nos adaptar ao andamento, ao corpo e à natureza daquele cavalo.
Quantas vezes eu escuto:
“Esse cavalo é ruim de andamento.”
“Você pula na sela porque o cavalo é duro.”
E quase nunca a pergunta vem para o lugar certo:
o nosso corpo.
Existe técnica.
Existe metodologia.
Existe consciência corporal.
Existe biomecânica.
Hoje existem inúmeras estratégias que nos permitem montar melhor, acompanhar melhor e interferir menos.
Entender que cada cavalo tem uma natureza, um movimento, uma forma própria de se expressar.
É claro que podemos ter preferências por raças, por tipos de andamento, por estilos de montaria — isso não é o problema.
O problema é terceirizar uma falta de habilidade, de compreensão ou de organização do próprio corpo.
Antes de culpar a embocadura, a sela, o estilo ou a raça…
talvez seja hora de olhar um pouco mais para nós.
Porque, muitas vezes, o cavalo não é o problema.
Ele só está respondendo ao que sente.
Você já se pegou culpando o cavalo por algo que hoje entende diferente?
Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.