Custo de cuidar pesa no bolso e já faz 56% dos tutores abrirem mão de cuidados com pets, aponta pesquisa.

Custo de cuidar pesa no bolso e já faz 56% dos tutores abrirem mão de cuidados com pets, aponta pesquisa.

Divulgação/Instituto Caramelo.

Levantamento do Instituto Locomotiva, encomendado pelo Instituto Caramelo, mostra que 90% dos brasileiros percebem aumento nos custos para manter um animal; dificuldades financeiras também aparecem entre principais fatores associados ao abandono.

O vínculo dos brasileiros com os animais de estimação sempre esteve muito presente, mas manter os cuidados necessários pode pesar no orçamento das famílias. Pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Caramelo, mostra que 56% dos tutores já deixaram de realizar algum cuidado com seus pets por questão financeira, e 14% dizem que isso ocorreu várias vezes. Entre as classes C, D e E, o percentual chega a 62%.

A pressão no orçamento aparece em diferentes pontos do levantamento. Para 90% dos brasileiros, os custos para manter um animal estão mais caros. Entre quem tem pet, 42% já enfrentaram dificuldades financeiras por causa dos gastos, índice que chega a 47% nas classes C, D e E. Além disso, 59% dos tutores afirmam já terem deixado de comprar algum produto para seu gato ou cachorro por causa do preço.
O impacto financeiro também chega à outra ponta do problema: o abandono. Quase metade dos brasileiros (48%) aponta dificuldades financeiras entre os fatores que contribuem para essa realidade. Outros 72% concordam que o custo elevado é uma das principais razões para o abandono, enquanto 38% dizem conhecer alguém que abandonou ou entregou um animal por dificuldades financeiras.
Diariamente, o Instituto Caramelo lida com animais que dependem de atendimento, reabilitação e encontrar um novo lar. Em 2025, a organização realizou 342 resgates e viabilizou 315 adoções, além de promover mais de 11 mil castrações, considerando procedimentos internos, externos e campanhas. Entre janeiro e julho de 2026, foram outros 185 resgates e 186 adoções, além de mais de 5,7 mil castrações.
“Quando uma família deixa de cuidar do seu pet por não conseguir pagar, o problema deixa de ser só financeiro e também passa a ser de bem-estar animal. E, no limite, isso contribui para o abandono. Precisamos de ampliação da oferta de castração e atendimento veterinário para que cuidar de um bichinho não se torne inviável para muitos”, afirma Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo.
Cães presentes em 76% dos lares; gatos, em 51%
Ainda segundo a pesquisa, sete em cada dez pessoas têm hoje um animal de estimação. Desse total, 42% possuem um pet, 31% têm dois, 12% têm três e 15% têm quatro ou mais. Cães estão presentes em 76% dos lares, e gatos, em 51%.
Essa presença se reflete na percepção sobre o bem-estar: 91% dos entrevistados concordam que ter um animal de estimação traz benefícios para a saúde mental. Mesmo entre os três em cada dez brasileiros que não possuem pets, o desejo de convivência permanece alto: 58% gostariam de ter um. As principais barreiras são espaço insuficiente em casa (37%), falta de tempo para cuidar (37%) e custo elevado, incluindo alimentação e despesas veterinárias (29%).
A pesquisa também revela que 85% dos brasileiros concordam que adotar é mais correto do que comprar. Além disso, 74% têm ou já tiveram na vida um animal adotado. Entre os tutores atuais, 28% afirmam ter resgatado o pet após abandono, 19% adotaram em campanhas de rua e 13% por meio de redes sociais. Mas a forma mais comum ainda é por meio de amigos ou parentes: 47%.
Outro desafio é a castração: 53% contam ter castrado todos os seus pets, enquanto 17% castraram apenas parte deles e 30% não castraram nenhum.
ONGs como protagonistas na proteção animal
A dimensão do trabalho realizado pelo Instituto Caramelo também encontra eco na percepção dos entrevistados sobre quem hoje sustenta a proteção animal no país. 63% apontam as ONGs como um dos grupos que mais contribuem para a causa, seguidas pelos protetores independentes (50%). Enquanto isso, prefeituras e órgãos públicos são lembrados por apenas 25% dos entrevistados. E 86% deles defendem que o poder público invista mais na causa.
“As ONGs e os protetores independentes têm um papel fundamental, mas não podem ser a única resposta para um problema dessa dimensão. Quem atua na ponta vê diariamente uma demanda bem maior do que a capacidade de atendimento das ONGs. Precisamos de políticas públicas permanentes de castração, atendimento veterinário, prevenção ao abandono e educação para a guarda responsável”, completa Yohanna.
Sobre a pesquisa
Realizada de forma digital entre 15 e 28 de outubro de 2025, a Pesquisa de Bem-Estar Animal foi feita com 1.000 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as regiões do país. Com margem de erro de 3,1 pontos percentuais, a amostra foi ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade e classe social, conforme parâmetros da PNAD 2024.

Fonte: Instituto Caramelo.

ImpulsoVet

Revista Eletrônica Médica Veterinária.