Medo de falsificação faz consumidores evitarem compra de medicamentos para pets em marketplaces.

Medo de falsificação faz consumidores evitarem compra de medicamentos para pets em marketplaces.

Pesquisa encomendada pelo Sindan indica que a falta de confiança na origem dos produtos é a principal barreira para compras online. Já nos pontos de venda físicos, o preço é o principal entrave

Mulheres decidem mais na hora de comprar produtos pets

São Paulo, outubro de 2026 – O comércio eletrônico ampliou a oferta de medicamentos veterinários, mas ainda não conquistou a confiança de quem cuida de cães e gatos. Entre os responsáveis por pets que evitam os marketplaces para essa compra, a dúvida sobre a origem do produto supera todos os outros motivos, à frente de preço, prazo de entrega e falta de promoções, segundo o Radar Pet, estudo da Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

O levantamento, elaborado em parceria com o Instituto Qualibest entre os meses de junho e julho deste ano, ouviu 2.613 responsáveis de 20 a 65 anos, das classes A, B e C, de todas as regiões do país. Desse total, 1.902 pessoas afirmaram não comprar remédios para o pet em marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias, e foram questionadas sobre o motivo.

Para 28,4% dos respondentes, a principal razão é a falta de confiança na origem do medicamento ou o receio de ele ser falsificado.

Recorrência

A compra desses produtos é frequente. Do total de entrevistados, 26% haviam feito a última aquisição nos sete dias anteriores à pesquisa, 17% nos 15 dias anteriores e 30% no último mês, o que soma 73% com compra recente. Outros 22% compraram nos últimos seis meses e 6% no último ano. A decisão é individual em 55% dos casos, sem consulta a outra pessoa da casa, e esse comportamento é mais comum entre as mulheres, com 59%, e entre quem cuida de cães e gatos ao mesmo tempo, com 65%. Os homens dividem mais a escolha ao decidir em conjunto.

Barreiras de consumo

O motivo para não comprar em um canal varia conforme o tipo de ponto de venda. No ambiente digital, o receio se concentra nos marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias. Ali, a dúvida sobre a autenticidade do medicamento pesa mais do que em qualquer outro canal pesquisado. A mesma preocupação aparece, com menos força, na compra por WhatsApp de pet shops de bairro. Já nos sites e aplicativos das redes de pet shop, a barreira é outra: o responsável sente falta de promoções e cupons. Os aplicativos de entrega reúnem as duas queixas, a de preço sem vantagem e a de dúvida sobre a origem do produto.

No varejo físico, a origem do medicamento quase não é questionada e o obstáculo é o preço. É o que afasta o responsável dos pet shops de bairro, dos pet shops de rede e da compra direta com o médico-veterinário. Nas agropecuárias e aviários, o motivo é mais simples: a maioria dos responsáveis por cães e gatos não conhece esse canal como opção de compra.

“O responsável está mais informado e quer participar das decisões sobre a saúde do animal. A pesquisa mostra que, no ambiente digital, a principal dúvida dele é a procedência do medicamento. Sem garantia de que o produto é original, a compra não acontece”, diz Gabriela.

Percepção de preço e Plano de Saúde

A etapa qualitativa da pesquisa, com quatro grupos de discussão, ajuda a explicar a percepção de preço. Os responsáveis relatam que falta parâmetro para avaliar o valor de um medicamento veterinário, diferentemente do que ocorre com o remédio humano, e identificam classes mais caras, como antibióticos e analgésicos. Medicamentos de uso recorrente exigem gastos constantes, e parte dos participantes admite espaçar a compra além do recomendado. É um comportamento que compromete o tratamento e abre espaço para a busca de ofertas mais baratas em canais sem procedência clara.

 

 

O Radar Pet também mediu a adesão a planos de saúde para animais. Apenas 18% dos responsáveis têm um plano, com presença maior entre os de 20 a 30 anos (28%), entre quem tem pet com problema crônico (33%) e entre moradores de capitais (23%). A cobertura para emergências, citada por 54%, é o principal motivo da contratação, seguida pela redução de gastos com cuidados veterinários (49%), pela garantia de consultas de rotina (48%) e pelo acesso a exames e procedimentos (46%). Entre quem considerou e não contratou, pesam o custo e a rede credenciada limitada, sobretudo fora das capitais.

Pirataria pode chegar a 15% do mercado

A percepção do consumidor encontra respaldo em outro levantamento da entidade. O Radar Vet, pesquisa do Sindan com médicos-veterinários, mostra que 64% dos profissionais consideram quase impossível distinguir um produto pirata do original. Não existem dados oficiais sobre pirataria de medicamentos veterinários no Brasil, mas estima-se que até 15% do mercado seja composto por produtos falsificados, contrabandeados ou sem registro. O setor de saúde animal faturou R$ 12,8 bilhões em 2025, alta de 7,9% sobre o ano anterior, segundo o Sindan.

A internet é apontada pela entidade como o principal canal de distribuição de medicamentos veterinários piratas no país. O avanço dos marketplaces e do comércio eletrônico multiplicou os pontos de venda e dificultou a fiscalização, o que ampliou a exposição de responsáveis e produtores a ofertas sem procedência clara.

“Um medicamento irregular não passou pelas avaliações de qualidade, segurança e eficácia exigidas da indústria regulada. O risco recai sobre o animal, que pode receber uma dose errada ou um produto sem efeito, e sobre a família, que acredita estar tratando o pet”, afirma Gabriela. Produtos irregulares costumam ser fabricados com matérias-primas de baixa qualidade e sem estudos de bioequivalência. Casos recentes, como a Operação Vaca Brava, revelaram esquemas organizados de falsificação e distribuição ilegal de medicamentos veterinários no país.

Como comprar com segurança

Para orientar responsáveis, médicos-veterinários, produtores rurais e revendas, o Sindan mantém a campanha Olhos Abertos, em parceria com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

A recomendação, que também vale para o varejo físico, é comprar apenas em revendas autorizadas ou em seus canais digitais oficiais, conferir registro no MAPA, número de lote, validade e rótulo em português, e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Essas checagens reduzem o risco, mas não substituem a escolha de uma fonte com procedência clara. “O médico-veterinário segue como a principal referência para orientar essa compra. Informação de qualidade e um canal confiável fazem parte do tratamento tanto quanto o medicamento em si”, diz a diretora do Sindan.

Suspeitas de irregularidades podem ser registradas no canal Fala.br, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As denúncias orientam as ações de fiscalização.

Fonte: Sindan / Radar Pet.

ImpulsoVet

Revista Eletrônica Médica Veterinária.