Na emergência veterinária, minutos podem mudar a conduta clínica.

Na emergência veterinária, minutos podem mudar a conduta clínica.

Diagnóstico rápido e confiável auxilia médicos-veterinários a identificar alterações críticas, direcionar intervenções e acompanhar a resposta de cães e gatos durante atendimentos de urgência.

Em situações de urgência e emergência veterinária, o tempo pode ser determinante para a evolução do paciente. Quadros clínicos podem se modificar rapidamente e alterações como hipoglicemia, anemia grave, distúrbios eletrolíticos, coagulopatias, hipoperfusão e disfunções renal ou cardíaca exigem reconhecimento e intervenção precoces. Nesse cenário, ter acesso a informações diagnósticas confiáveis ainda durante a avaliação inicial pode fazer diferença na definição da conduta e na estabilização do animal.

Mais do que chegar rapidamente a um diagnóstico, o objetivo do atendimento emergencial é identificar, o quanto antes, as condições que representam risco à vida e acompanhar a resposta do paciente às medidas adotadas. Informações obtidas em poucos minutos podem orientar decisões como fluidoterapia, suplementação de glicose, transfusão, correção de alterações eletrolíticas, suporte respiratório, indicação cirúrgica ou necessidade de isolamento.

Para o médico-veterinário Otávio Valério de Carvalho, entretanto, obter resultados rápidos em um cenário de emergência envolve diferentes desafios. O paciente pode estar instável, apresentar hipotensão, dor, agitação ou dificuldade de acesso vascular. Muitas vezes, há pouco tempo, volume reduzido de amostra e necessidade de realizar diferentes exames simultaneamente. Somam-se a isso fatores pré-analíticos, como hemólise, lipemia, presença de coágulos, proporção inadequada entre sangue e anticoagulante e demora no processamento.

A própria intervenção terapêutica também pode modificar determinados resultados, o que reforça a importância de coletar as amostras antes do início do tratamento sempre que isso for possível e seguro. Além disso, a velocidade do resultado precisa estar associada a uma pergunta clínica específica. A realização de um teste sem considerar o histórico, o exame físico, a fase da doença e o tipo de analito detectado pode levar a interpretações equivocadas, especialmente no caso de testes para antígenos e anticorpos.

Nesse contexto, a disponibilidade de resultados confiáveis em poucos minutos permite estabelecer uma linha de base objetiva logo no início do atendimento, reconhecer alterações críticas e priorizar intervenções. Um hematócrito reduzido, por exemplo, pode direcionar a investigação de hemorragia ou hemólise, enquanto uma hipoglicemia pode ajudar a explicar quadros de convulsão ou alteração de consciência. Já alterações nos níveis de potássio podem estar relacionadas a fraqueza, bradicardia e distúrbios do ritmo cardíaco.

A combinação de diferentes parâmetros também contribui para tornar o raciocínio clínico mais eficiente. Em um cão ou gato com vômito e prostração, por exemplo, a avaliação conjunta de hemograma, glicose, eletrólitos, função renal, marcadores pancreáticos e exames etiológicos pode oferecer uma visão mais ampla do quadro do que um resultado isolado. Quando determinados parâmetros são repetidos ao longo do atendimento, também é possível acompanhar tendências e verificar se o paciente está respondendo à estabilização.

A seleção dos exames depende da apresentação clínica, mas uma avaliação de emergência pode envolver hemograma, com análise de hematócrito, hemoglobina, leucograma, plaquetas e reticulócitos; glicose; eletrólitos, principalmente sódio, potássio e cloro; lactato e parâmetros relacionados ao equilíbrio ácido-base; proteínas totais e albumina; ureia, creatinina e parâmetros hepáticos; testes de coagulação; urinálise; além de testes etiológicos e biomarcadores direcionados pela suspeita clínica.

Em situações específicas, marcadores como cPL e fPL podem contribuir para a investigação de pancreatopatias. A cCRP e a fSAA auxiliam na identificação e no monitoramento da resposta inflamatória, enquanto troponina I e NT-proBNP podem acrescentar informações à avaliação cardiovascular. Esses marcadores, no entanto, devem ser interpretados em conjunto com os demais achados, sem substituir a avaliação clínica e os exames de imagem quando indicados.

É nesse cenário que soluções de diagnóstico rápido, como a linha VET FAST, da Bioclin vet, podem contribuir para tornar a rotina de atendimento mais ágil. A solução permite investigar rapidamente agentes infecciosos relevantes para cães e gatos durante o próprio atendimento. Em pacientes com síndrome gastrointestinal aguda, por exemplo, a detecção de antígenos de parvovírus ou Giardia pode apoiar a definição de medidas de isolamento, biossegurança e investigação complementar.

Em quadros multissistêmicos, hematológicos, respiratórios ou cardiovasculares, testes para cinomose, erliquiose, babesiose e dirofilariose podem contribuir para o direcionamento inicial da investigação. Entre os felinos, a pesquisa de FIV e FeLV pode ser especialmente relevante diante de situações como anemia, imunossupressão, infecções recorrentes ou necessidade de avaliação antes de uma transfusão. Já a Tipagem Sanguínea Felina VET FAST fornece uma informação importante para a seleção de sangue compatível.

A interpretação dos resultados, contudo, permanece fundamental. A presença de anticorpos contra agentes como Ehrlichia canis ou Babesia vogeli indica exposição e resposta imunológica, mas não confirma isoladamente uma infecção ativa. Da mesma forma, um resultado negativo não exclui completamente a possibilidade de doença quando o paciente está em uma fase inicial, apresenta baixa concentração do analito ou quando há limitações relacionadas à amostra. Por isso, os resultados devem ser correlacionados ao histórico, ao quadro clínico, ao hemograma e, quando indicado, a exames moleculares e outros métodos complementares.

Além dos testes etiológicos, a obtenção de informações laboratoriais à beira do paciente pode ampliar a capacidade de resposta durante a emergência. A linha VetPOCT foi desenvolvida para permitir a seleção da solução mais adequada à pergunta clínica e ao nível de complexidade de cada caso, aproximando os resultados da tomada de decisão.

O VetPOCT Smart Cell, por exemplo, disponibiliza hemograma com diferencial leucocitário ampliado, reticulócitos, parâmetros plaquetários e imagens celulares em aproximadamente 10 a 15 minutos. Em uma emergência, essas informações podem apoiar a identificação de anemia, resposta regenerativa, trombocitopenia e alterações leucocitárias associadas a processos inflamatórios, infecciosos ou de estresse. O equipamento também realiza análises morfológicas de urina e fezes, ampliando a investigação após a estabilização inicial.

Quando a necessidade é uma avaliação sistêmica, o VetPOCT Dry Panel disponibiliza perfis bioquímicos em até 10 minutos. Conforme o painel selecionado, é possível avaliar parâmetros relacionados à função renal e hepatobiliar, glicose, proteínas, eletrólitos, lactato, equilíbrio ácido-base, inflamação e coagulação. Para perguntas mais direcionadas, o VetPOCT DryOne realiza testes bioquímicos individuais, como glicose, creatinina, ureia, albumina e enzimas hepáticas, em até três minutos.

Já o VetPOCT FIA oferece resultados quantitativos de biomarcadores em aproximadamente 3 a 15 minutos, incluindo marcadores inflamatórios, pancreáticos, cardíacos e renais. A integração dessas diferentes possibilidades permite combinar avaliações hematológicas, bioquímicas, funcionais e etiológicas durante o atendimento, reduzindo o intervalo entre a suspeita clínica e a tomada de decisão.

A velocidade, porém, só tem valor clínico quando acompanhada de qualidade analítica. Para que um resultado seja utilizado com segurança, a solução diagnóstica precisa apresentar desempenho conhecido para a espécie, o tipo de amostra e a finalidade pretendida, além de características como precisão, sensibilidade e especificidade adequadas. Baixo volume de amostra, procedimentos simples e padronizados, controle de qualidade, rastreabilidade, resultados claros, sinalização de alterações, conectividade, registro dos dados, suporte técnico e treinamento da equipe também são fatores importantes para a rotina.

No atendimento veterinário de emergência, portanto, a tecnologia atua como uma aliada do raciocínio clínico. Resultados rápidos podem reduzir o intervalo entre a identificação de uma alteração e a intervenção necessária, mas a decisão mais segura é aquela que considera o conjunto de informações disponíveis, incluindo histórico, avaliação primária, exame físico, evolução do paciente e as limitações de cada método diagnóstico. Afinal, quando cada minuto pode mudar a conduta, informação confiável no momento certo pode contribuir para uma abordagem mais rápida, precisa e direcionada.

Fonte: VetPOCT.

ImpulsoVet

Revista Eletrônica Médica Veterinária.