O cavalo me ensinou que ser mulher é saber equilibrar firmeza e suavidade — sem apagar nenhuma das duas.

O cavalo me ensinou que ser mulher é saber equilibrar firmeza e suavidade — sem apagar nenhuma das duas.
O cavalo foi meu espelho, meu mestre e, muitas vezes, meu refúgio.
Foi com ele que aprendi que dentro de mim existem duas energias que não se excluem — se completam.
A força que direciona. A delicadeza que sente.
A firmeza que sustenta. A sensibilidade que escuta.
Como mulher, eu muitas vezes me perdi tentando ser só uma dessas partes.
Ou fui cobrada para ser forte demais.
Ou me perdi tentando agradar demais.
Mas o cavalo… ah, o cavalo me devolveu o centro.
Ele não aceita excesso de dureza, nem se entrega ao excesso de fragilidade.
Ele responde ao equilíbrio.
Na sela, precisei aprender a firmar minhas intenções — sem endurecer o coração.
A guiar com presença — sem apagar minha essência.
A estar inteira — sem precisar me provar.
E é por isso que digo com toda certeza:
Montar um cavalo me fez mais mulher.
Porque me ensinou que eu posso ter energia masculina, sim — e preciso dela.
Mas sem nunca apagar a minha alma feminina, que acolhe, sente e conecta.
O cavalo não quer a versão que o mundo exige de mim.
Ele quer a minha verdade.
E talvez por isso seja tão transformador.
Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.