Projetos apoiados pela FAO na Amazônia promovem gestão sustentável de espécies da fauna e de territórios.

Iniciativa Entre Águas Amazônicas combate atividades predatórias e fortalece cadeias sustentáveis do pirarucu, jacaré e caranguejo-uçá, gerando renda e oportunidades para comunidades locais. Conheça este e outros projetos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura na região.
Símbolo dos rios amazônicos e um dos maiores peixes de água doce do planeta, o pirarucu desempenha um papel fundamental na conservação da biodiversidade e na geração de renda para milhares de famílias da Amazônia. No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca os avanços obtidos por meio do projeto “Fortalecimento dos Processos Participativos de Gestão dos Recursos Naturais para o Desenvolvimento Econômico Sustentável, Conservação da Biodiversidade e Manutenção dos Estoques de Carbono em Áreas Úmidas Amazônicas”, apelidado de “Entre Águas Amazônicas”, que fortalece o manejo sustentável do pirarucu e de outros recursos naturais estratégicos para a bioeconomia da região.
Conhecido como o “gigante da Amazônia”, o pirarucu pode ultrapassar 3 metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Além de seu elevado valor nutricional, a espécie tornou-se um dos principais exemplos de como a conservação ambiental pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento econômico das comunidades tradicionais. Após décadas de sobrepesca, o manejo sustentável realizado por comunidades ribeirinhas e povos indígenas possibilitou a recuperação dos estoques naturais da espécie em diversas regiões da Amazônia. Atualmente, a cadeia produtiva do pirarucu movimenta a economia no estado do Amazonas, promovendo segurança alimentar, geração de renda e fortalecimento da governança territorial.
Mais do que garantir a produção pesqueira, o manejo contribui para a proteção dos ecossistemas, reduz invasões e atividades ilegais e favorece a recuperação de outras espécies da fauna amazônica.
Mudanças climáticas
Nos últimos anos, porém, as mudanças climáticas passaram a representar um desafio crescente para as comunidades que dependem do manejo dos recursos pesqueiros amazônicos. As secas extremas registradas em 2023, 2024 e 2025 dificultaram o acesso aos lagos de pesca, comprometeram a navegação e aumentaram os custos de transporte, combustível e logística. Em algumas localidades, os canais de acesso chegaram a secar completamente, impossibilitando a realização da atividade.
Diante desse cenário, o projeto Entre Águas Amazônicas vem apoiando estudos sobre a vulnerabilidade do pirarucu a eventos climáticos extremos e implementando medidas para aumentar a resiliência das comunidades e dos sistemas produtivos. A iniciativa recebe apoio técnico da FAO e é implementada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Uma das iniciativas recentes apoiadas pelo projeto foi a apresentação de um sistema digital de vigilância ambiental durante o 17º Encontro de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu, realizado no Médio e Alto Solimões. Desenvolvida pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, a ferramenta utiliza formulários eletrônicos acessados por telefone celular para registrar ocorrências em tempo real durante as atividades de vigilância dos lagos. O sistema permite incluir localização geográfica, fotografias e informações detalhadas sobre infrações ambientais, agilizando o compartilhamento dos dados com órgãos como Ministério Público, Ibama, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente. A inovação reduz o intervalo entre o registro de ocorrências e a adoção de medidas de fiscalização, fortalecendo a proteção dos territórios onde ocorre o manejo. O encontro também marcou a entrega das autorizações de pesca para a safra de 2026 aos grupos manejadores e a apresentação de equipamentos e estruturas voltadas à qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade do pescado.
Outra ação que integra o projeto foi a promoção de rodadas de negócios para ampliar oportunidades comerciais para os manejadores do pirarucu, aproximando-os de compradores já consolidados e de novos interessados em entrar neste mercado.
Desde 1998, o Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas aplicadas ao manejo participativo do pirarucu, integrando conhecimento científico e saberes tradicionais. Atualmente, mais de 200 comunidades dos municípios de Uarini, Maraã, Fonte Boa, Jutaí e outras localidades do Médio e Alto Solimões participam dessas atividades, que incluem monitoramento dos estoques naturais, vigilância territorial e manejo comunitário dos recursos pesqueiros.
Até 2028, o Projeto Entre Águas Amazônicas pretende aprimorar a gestão territorial de cerca de 500 mil hectares de áreas protegidas e paisagens produtivas, promovendo o manejo sustentável de espécies como pirarucu, jacaré e caranguejo-uçá. Estão previstos sete planos e protocolos de manejo, além de investimentos em infraestrutura produtiva, sistemas de monitoramento da biodiversidade, beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade, turismo comunitário e fortalecimento das organizações locais. A expectativa é beneficiar diretamente mais de 8, 6 mil pessoas e organizações, com destaque para a capacitação de cerca de 2,5 mil lideranças comunitárias e o fortalecimento de 26 organizações de base.
Outras ações da FAO na Amazônia
No Dia da Amazônia, a FAO também destaca três outras iniciativas que apoiam a conservação e o desenvolvimento sustentável da região. Entre elas, o Projeto de “Regularização Ambiental através da Governança Fundiária e Ordenamento Territorial como pilar para o Desenvolvimento Sustentável/Terras para Elas”. O objetivo do projeto é combater a insegurança jurídica e promover o empoderamento econômico feminino no Maranhão, mediante regularização fundiária com emissão de 2,5 mil títulos prioritariamente no nome da mulher, fortalecimento de capacidades produtivas por meio da capacitação de 5 mil mulheres rurais sobre direitos fundiário, produção sustentável, bioeconomia, empreendedorismo e educação financeira, associativismo, cooperativismo e redes produtivas. Agentes e técnicos locais serão capacitados em ferramentas de geotecnologia voltadas para regularização fundiária e monitoramento ambiental. Além da regularização fundiárias, visa possibilitar o avanço da regularização ambiental das áreas, com apoio para o cadastro ambiental rural, o monitoramento e a adoção de práticas de uso sustentável do território. A iniciativa tem apoio técnico da FAO, e é executada pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA), com financiamento do Fundo Brasil-ONU para a Amazônia Legal.
Outro projeto na região lançado este ano é o “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia”, liderado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com assistência técnica da FAO e da ONU Mulheres e coordenação do Governo de Rondônia. Financiado pelo Governo do Canadá, visa fortalecer as cadeias produtivas do café e do cacau, promover inclusão produtiva, capacitação técnica e ampliar oportunidades econômicas para mulheres empreendedoras e agricultoras familiares até 2027.
A FAO também apoiou o desenho técnico do Tropical Forest Forever Facility (TFFF), mecanismo internacional inovador lançado na COP30 para financiar a conservação de florestas tropicais. Concebido pelo Brasil, o fundo busca recompensar países que mantenham suas florestas em pé e prevê que pelo menos 20% dos recursos sejam destinados a povos indígenas e comunidades locais, reconhecendo seu papel essencial na proteção dos ecossistemas amazônicos.
Fonte: https://www.fao.org/







