Usar ou não usar estribo de gaiola?

Usar ou não usar estribo de gaiola?
Esse é um dos temas mais polêmicos da equitação.
E eu entendo por quê.
Eu mesma já usei quando dava aula.
Mas, ao longo dos anos — estudando biomecânica do cavaleiro e atuando como classificadora internacional no paraequestre — uma coisa ficou cada vez mais clara:
o estribo de gaiola não corrige o pé.
Ele apenas segura o pé no lugar.
Quando o pé entra no estribo, quando ele fica alto ou baixo demais, isso nunca acontece sozinho.
A pisada, o tamanho do estribo, o uso (ou não) do joelho, o pinçamento da perna, o quadril travado, o posicionamento da pelve…
tudo isso interfere diretamente no que aparece lá embaixo.
O pé é o último da cadeia.
O problema é que muita gente acredita que, usando um estribo de gaiola, o assunto está resolvido.
Mas se resolvesse de verdade, bastaria tirar o estribo de gaiola que o pé continuaria correto.
E não é isso que acontece.
O instrutor não precisaria continuar gritando “calcanhar para baixo”.
O cavaleiro não perderia o pé quando muda o andamento.
O problema não voltaria no primeiro trote mais ativo.
Porque a causa não está no pé.
O pé é consequência de algo que está acontecendo lá em cima.
Existe, sim, uma forma de melhorar esse quadro.
Mas ela começa no corpo, na postura, na mobilidade e na organização do cavaleiro — não no acessório.
Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.