Viralizou que que o Ifood esta parcelando uma refeição em 3 vezes. Parece piada. Não é.

Viralizou que que o Ifood esta parcelando uma refeição em 3 vezes. Parece piada. Não é.
Parcelar já foi coisa de geladeira, de celular — algo que dura mais que a própria dívida. Agora o crédito escorregou pro prato. É mais de um milhão de brasileiros financiando comida no cartão, pagando juros, e ainda chamam isso de “facilidade”.
Só que ninguém divide o jantar em 6 vezes porque quer. Divide porque o dinheiro do mês acabou antes do mês.
E é exatamente aqui que quem tem clínica, hospital ou centro de diagnóstico precisa parar pra pensar:
essa mesma família é a que vai chegar com o pet no colo e ouvir o orçamento do exame.
No afeto, o animal é da família. No caixa, ele vira negociável na margem. Aí vem o “faço só o essencial”, o “esse exame fica pra mês que vem”, o “tem como parcelar?”. E exame adiado hoje é diagnóstico que chega tarde — mais caro em dinheiro e em prognóstico.
A saída fácil é copiar o delivery e parcelar tudo. Cuidado com ela: é assim que a clínica deixa de ser saúde e vira uma pequena financeira, com inadimplência, caixa descasado e conduta clínica refém da fatura.
Existe um caminho melhor, e ele inverte a lógica do juro: em vez de financiar o susto depois, provisionar o cuidado antes. É o que um bom plano de saúde pet faz — transforma um gasto imprevisível e alto num valor previsível e menor. Protege o tutor e estabiliza o seu caixa.
No fim, sobra uma pergunta só: quando o bolso do cliente aperta, você vai competir por preço ou por valor clínico?
Preço sempre vai ter alguém fazendo mais barato até quebrar. Excelência clínica ninguém copia.
A comida parcelada é o sintoma. O que você faz com ele, dentro da sua clínica, é escolha sua. E se decide agora — não no meio do aperto.
Marcio Mota.

Marcio Mota

Médico veterinário, docente convidado FGV, palestrante, consultor, Presidente ANMV, Presidente da Comissão de Clínicos de pequenos animais CRMV SP e liderança do associativismo (AMVGABC, ABHV e FEREVESP).