“Sacrifício” para “Eutanásia”.

Na década de 90, quem levava o animal ao veterinário era chamado de “proprietário”. Hoje, o Conselho Federal de Medicina Veterinária orienta a substituição para “responsável” e não mais “tutor”, por ser o termo mais adequado à relação atual, pela mudança de consciência presente nesta relação.
Outra substituição importante que aconteceu no passado, foi a troca do termo “sacrifício” para “eutanásia”, trazendo ética, compaixão e reconhecimento do sofrimento envolvido em determinadas situações no final de vida dos animais de estimação.
Neste processo tem um fato importante: A transformação emocional da sociedade foi mais rápida do que a estrutura na medicina veterinária, onde os profissionais não tem em sua formação, disciplinas que abordam o “processo do morrer”, cuidados paliativos, comunicação empática e manejo emocional dos tutores.
E, nesses mesmos 20 ou 30 anos, os animais saíram dos quintais e se tornaram membros da família, onde para muitos, são razão de viver.
Hoje, quando um animal adoece, não lidamos apenas com um quadro clínico. Lidamos com medo de perda, culpa, traumas ativados, desespero de quem tutela este animal. É uma crise emocional real.
A medicina veterinária que cuida, quando não há mais possibilidade de curar, ainda está em construção. Ainda se fala pouco sobre dignidade no fim da vida e sobre respeito ao que é sagrado para cada família nesse momento.
Estamos vivendo uma transição histórica.
Os animais estão ganhando voz, enquanto a estrutura, ainda está aprendendo a ouvi-los. É importante que os profissionais se alinhem a esta transformação que já faz parte da vida das pessoas.
O futuro da relação humano-animal não é só tecnológico. É ético e emocional. Curar quando for possível e Cuidar quando não for. Honrando sempre o que é sagrado para cada família.
Existe uma nova medicina veterinária nascendo. Porque existe um novo tutor também.
Minha pergunta é: Você quer repetir modelos antigos ou participar dessa transformação? Pois cuidar dos animais atualmente, é cuidar dos seres humanos também.
Ednilse Galego.







