O Brasil se colocou na posição mais alta do pódio no AQHYA World.

Otávio Paoliello, Gabriel Garcia e Alexandre Candido foram nossos brilhantes representantes.
Um deles foi Otávio David Paoliello, com apenas 13 anos de idade, nascido em 19 de setembro de 2013, em Araçatuba (SP), vem cursando o 7º ano do ensino médio, na cidade de Osvaldo Cruz (SP), onde reside. E seguindo o conhecido dito popular – ‘filho de peixe, peixinho é’ -, ele é filho de Livia e Rafael Paoliello, o campeoníssimo laçador que é conhecido no meio como Chifrinho, e mostraram uma enorme alegria pela performance obtida pelo filhão.
Otávio, que compete no Laço Cabeça, explicou que após vencer o Level (Nível) 2, se classificou entre os 15 finalistas para correr o Level 3. Ele contou um pouco como foi sua preparação para chegar ao evento: “Eu foquei somente no treinamento e me dediquei muito nos últimos meses exclusivamente ao laço, deixando de lado minhas aulas de tênis e futebol. Treinei bastante cavalete e com bois de chifre. Ia para a escola pela manhã e toda tarde me dedicava a esse trabalho”. Rafael emendou informando que eles viajaram aos Estados Unidos poucos dias antes do Mundial e lá, o Otávio treinou só dois dias no rancho do amigo JD Yates, no Colorado.
Já sobre essas conquistas, ele deu mais detalhes sobre suas montarias, sendo ambas em animais castrados. Um foi com Dellas Little Pistol, filho de Fiestas Gotta Gun e Bobs Tari Della, pertencente ao saudoso Dick Yates, que o levou ao título de campeão Mundial do Level 2 e reservado campeão no Level 3. “Eu estava muito ansioso para montar nesse animal, foi uma honra o Dick ter me confiado pois gostava muito dele e foi uma enorme felicidade obter essa consagração”, pontuou o jovem, que emendou: “Entrar em pista representando o Brasil foi e sempre será uma sensação incrível, por estar ali junto com grandes competidores, além de ouvir dicas e conselhos que me possibilitou um enorme aprendizado”.
Na disputa com Irrational Decisions (Whiz My Nu Chex x Sheza Belle Pine), de propriedade do JD Yates, ele não foi bem e informou que já havia competido com o cavalo em janeiro desse ano, no Arizona, onde se classificou para o evento.
Com relação ao nível técnico dos competidores brasileiros e norte-americanos, Otávio disse que temos profissionais e animais tão bons quanto aos deles, e revelou que é fã de muitos dos nossos competidores, os quais tenta aprender com eles e deixou uma dica aos nossos jovens: “Aqueles que também têm esse sonho como o meu, treinem, se dediquem, sejam focados, tenham fé e Deus no coração, pois tudo dará certo”. Sobre o futuro, revelou que os próximos passos será o de dar continuidade nos treinamentos nas provas técnicas aqui do Brasil e, talvez, correr algumas provas nos Estados Unidos no final desse ano para adquirir cada vez mais experiência visando o Mundial de 2027.
“É muito importante sermos gratos por tudo e, eu não teria conseguido sem a ajuda e o apoio de grandes pessoas que estão sempre presentes na minha vida. Primeiro ao meu pai, que esteve ao meu lado durante esse caminho e, sem dúvida, foi e é o meu grande ‘professor’ e incentivador, pois é nele que me inspiro todos os dias, com minha dedicação e disciplina”. Além de Rafael, agradeceu o apoio e carinho de outras importantes pessoas, como o seu tio Rodrigo Paoliello, que também lhe incentiva e está sempre ao seu lado e finalizou enaltecendo mais algumas pessoas: “Não posso deixar de agradecer ao meu grande amigo José Guilherme Morita e o tio Adriano Morita, que sempre me ajudam com treinos, dicas e o carinho de sempre, bem como ao JD Yates e Trey Yates, pelo acolhimento, pelos ensinamentos e por estarem sempre presentes e torcendo por mim, além do saudoso Dick Yates que acreditou em mim, me emprestando seu fiel animal. A todos o meu muito obrigado”.
Alexandre Candido ficou em 3º lugar no Laço Cabeça e Pé
Com 16 anos de idade, o jovem Alexandre Abucham Candido, nascido em 20/11/2009 na capital paulista, estuda em Ribeirão Preto (SP), e é filho de Isabel e Alexandre Candido. Competidor no Técnico de Laço Cabeça e Pé, fez uma análise desde a sua preparação até chegar ao Mundial em Oklhoma (EUA).
Alexandre Candido, com Golden Playboy, conquistou a terceira posição no Level 2 e 3“Vinha treinando com bastante intensidade nas últimas semanas para chegar bem ao Mundial. Alguns dias antes da competição fui para o Colorado junto com o Chifrinho no Rancho JD Yates, para treinar os cavalos, a quem agradeço muito pelos ensinamentos. Além da preparação técnica, também procurei manter a confiança e o foco, porque sei que a parte emocional faz muita diferença em uma competição desse nível”, detalhou Alexandre.
Segundo ele, dos três animais que participou, todos machos, dois são de sua propriedade e um foi cedido pelo Phil Tearney, ao qual também agradeceu. “Mesmo com poucos dias de treino antes da competição, aproveitei cada momento para me preparar da melhor forma. E o cavalo com que fui ao pódio em terceiro lugar no Laço Cabeça Técnico, no Level (Nível) 3, foi o Golden Playboy (Tapeppyoka Playboy e A Golden Gem), – O mesmo que me proporcionou o título de reservado Campeão no L2 em 2025”. Com o Probably All That (With All Probability x Tuffs Lady Luck) ele ficou em 4º lugar e já com Drag All That (All That Boon x Double R Dragtime), ocupou a 5ª colocação.
Repetindo a mesma posição, ficou com o troféu de terceiro também com Gold Playboy no Laço Pé Técnico (L2), além de participar com os outros dois animais. “Só posso dizer que foi uma sensação muito especial estar lá, pois competir nos Estados Unidos é uma experencia muito diferente, onde as estruturas impressionam, são muitas arenas grandes e as quantidades de cavalos e competidores de alto nível. Tudo é muito organizado e silencioso. Esse clima deixa a competição emocionante e séria”, pontuou Alexandre.
Ele revelou sobre a responsabilidade em representar o Brasil, mas que ficou muito orgulhoso: “Deu aquele frio na barriga, principalmente porque a maioria dos competidores eram norte-americanos e já estavam acostumados a disputar esse campeonato em anos anteriores. Minha maior dificuldade foi me adaptar às características da boiada americana. O desafio foi acostumar-me com os chifres dos bois, o que exige mais atenção e técnica durante a prova. Com tudo, os cavalos estavam preparados e prontos para a apresentação e consegui fazer boas manobras e entrei em pista para dar o meu melhor”.
Fazendo um comparativo entre os participantes dos dois países, Alexandre disse que o nível é o mesmo, mas com técnicas diferentes. “No Brasil temos muitos cavalos bons, mas nos Estados Unidos a quantidade é bem maior. Competir lá era um sonho para mim, e poder viver essa experiência foi sensacional, pois a cada treino e cada competição fazem a gente evoluir. E representar o Brasil foi uma emoção muito grande e mostra que todo o esforço valeu a pena. Espero que cada vez mais jovens tenham a oportunidade de viver isso também. Agradeço à minha família pelo incentivo e ao apoio do Chifrinho (Raphael Paoliello) por tudo que fez por mim”.
Confraternização no pódio entre as famílias Candido e PaolielloFinalizando, Alexandre revelou que irá continuar treinando mais ainda e focado em evoluir a cada competição: “Esse Mundial me mostrou que estou no caminho cetrto, mas meu maior objetivo continua sendo conquistar o título de campeão mundial. Vou seguir trabalhando forte para voltar ainda mais preparado no ano que vem”.
Gabriel Garcia comemorou seus 15 anos com títulos Mundiais em seu cartel
Gabriel Garcia, montando Doc Seas Streak, foi o grande destaque do Laço Pé (Level 3), totalizando 223,5 pontosOutro brasileiro que teve todos os motivos para vibrar e ouvir o hino nacional foi Gabriel Godinho Garcia, após as vitórias no Laco Pé no lombo de três animais. Correndo com a égua Doc Seas Streak, apelidada de Lean, que é uma filha de Doc Seas Whiskey e Circle Bar Money Gal), conquistou o título de campeão Mundial no Level 3, totalizando 223,5 pontos e, também, na mesma categoria, ficou com reservado campeão com Smoke and Glitter (Big Bucks To Cash x Big Smokin Otoe), égua conhecida como Topaz, pertencente a Lisa Stephens, somando 220 pontos. E com o castrado Buffalou (Cattlou x Kitty Merada), do Rob Foster, foi finalista no Level 3.
Competidor assíduo nos eventos da ABQM em Laço em Dupla e Laço Pé, o jovem de 15 anos de idade, nascido em 06/08/2011, em Presidente Prudente (SP), cursa o 9º ano escolar e é filho de Gilmar Mandotti Garcia e Giovana Godinho Garcia.
Ele contou que antes de viajar para os Estados Unidos participou do Campeonato Nacional, em Araçatuba (SP), para ‘quebrar o gelo’ e a ansiedade que estava sentindo. “Já em terras americanas, fiquei hospedado e me preparei no Bar F Ranch, em Brock, Texas, de propriedade de Rob e Pam Foster, e do meu amigo Johnryon Foster, que foi várias vezes Campeão Mundial pela AQHYA e me ajudou bastante. É uma família que possui muita tradição em eventos da AQHA e dos shows em provas técnicas e que me arrendaram três animais”, informou Gabriel.
Segundo ele, no sábado, antes de iniciar o Mundial o levaram para um horse show, chancelado pela AQHA, para se preparar para o aguardado evento, onde ficou em 1º, 3º e 4º lugares, o que lhe deu mais confiança para desempenhar um bom trabalho.
Além desse evento, Gabriel contou que fizeram vários treinamentos, parando muitos bois na curva e simulando as dificuldades que poderiam acontecer nas provas. “Eu já tinha trabalhado com esses cavalos quando estive aqui em dezembro, mas não tão intenso como fiz dessa vez”, destacou ele.
“Só sei dizer que o ‘peso’ que estava carregado era muita grande em ser o único brasileiro que estava na prova de Laço Pé, pois na cabeça estavam o Otávio e o Alexandre trabalhando na Cabeça. Nós conversamos e imaginávamos que seria um sonho nos três brasileiros vencer o Mundial AQHYA. E posso dizer que tudo isso foi muito especial porque foi um grande desafio para todos nós. No meu caso, eu não falo o inglês fluente e estou aprendendo a linguagem até em relação aos treinamentos com os cavalos”, detalhou Gabriel.
Sobre o desempenho dos animais nas pistas, ele afirmou que no geral seu desempenho foi o esperado, pois afirmou que treinou muito para obter essas conquistas. Especificamente por animal, ele detalhou: “Com a Doc Seas senti um pouco de ansiedade no começo, mas a égua se mostrou atenta e me ajudou para fazermos um grande trabalho e terminamos com dois títulos de campeões; a Smoke também mostrou ser uma égua boa de montar e consegui fazer boas laçadas; e já com Buffalou tive alguns problemas com o primeiro boi, porque ele parou na reta o que fez os jurados me deram outro, mas infelizmente meu cabeceiro errou a laçada na primeira corda e eu lacei na segunda, mas comom ele sentiu, vimos que para o bem do cavalo preferimos não correr a final”.
Fazendo um comparativo entre competidores jovens dos dois países, Gabriel explicou que praticamente estão em equilíbrio de qualidade, embora os norte-americanos possuam um volume bem maior de provas técnicas, enquanto no Brasil a presença maior é nos campeonatos da ABQM. Ele fez questão de deixar uma mensagem aos nossos jovens que pensam em competir internacionalmente: “Caso tenham condições e sonhos, digo que vocês têm que correr atrás, pois não dá para descrever o que isso representa. Prova disso é que vou me dedicar mais ainda nos treinamentos para o próximo Potro do Futuro e estar no ano que vem novamente nos EUA”, finalizou.
Premiadíssimo pódio com Gabriel Garcia, com Doc Seas Streak, e Johnryon Foster, com Smoke and GlitterE quem deu seu parecer também foi o pai de Gabriel, Gilmar Garcia: “Isso aqui foi uma experiência fantástica para nossa família e é claro que quando você consegue a vitória fica mais fácil. Foi uma trajetória até chegar aqui, que começou desde dezembro do ano passado quando ele ficou hospedado na casa dos Foster, que são os ‘pais’ americanos dele, bem como o Johnryon Foster, como o seu ‘irmão’ nos EUA, que o ajudou muito no rancho. E com certeza, isso contribuiu para o conhecimento e entrosamento com os animais. Só posso dizer que o Gabriel trabalhou muito para atingir esse objetivo”.
Outro que fez elogios aos jovens competidores brasileiros foi Flávio Ribeiro, que assessorou Gabriel e a família Garcia na estada nos EUA: “Acredito que esse tenha sido os melhores resultados de brasileiros no Mundial da AQHYA. O desempenho dos três meninos foi impressionante, iniciando com a eliminatória do Laço Cabeça Level 2 (Nível) e na final do Level 3, onde a mesma passada vale para as duas categorias”.
Ele conta que desde os 12 anos esteve envolvido com o Quarto de Milha onde começou apartando e depois no Laço Individual: “Eu resido nos EUA há mais de 24 anos e, em 2017, competi pela primeira vez no Mundial da AQHA ficando em 4º lugar no Breakaway e, dois anos após, tive a alegria de ganhar essa modalidade no Mundial da AQHA. Depois disso fiquei com os títulos em 2022 no Laço Individual e em 2025 no Breakaway, todos na classe Amador no Level 2”.
“Quando o Gabriel começou a laçar eu disse para o Gilmar Garcia que a gente deveria trazê-lo para competir aqui nos EUA. E acertamos com a família Foster em recebê-lo, pois ela tem muita tradição no meio. Além disso, fiz isso pela grande amizade que tenho com o Gilmar e, principalmente, em ver seu filho ser um dos melhores do evento”, detalhou Flávio.
Sobre os Mundiais AQHA e AQHYA, o Brasil já obteve muito sucesso no passado com os competidores brasileiros. Entre eles, podemos citar: Marcos Alan Costa, Lincoln Figueiredo, Paulo Saraiva, Rafael Paoliello, Daniel Lopes, Junior Testa, Kenny Cunha e Jose Guilherme Morita.
Texto: Abdalla Jorge Abib (Departamento de Comunicação da ABQM
Fotos: Shane Rux Photography
Fonte: ABQM.







