Você sabia que cães e gatos demonstram dor articular de formas diferentes?

Você sabia que cães e gatos demonstram dor articular de formas diferentes?

Mudanças na locomoção, no comportamento e até na higiene podem indicar que o pet sente desconforto

Os pets são mestres em esconder sinais de desconforto. Por isso, a dor articular pode permanecer despercebida por meses, sendo comumente confundida com sinais do envelhecimento, preguiça ou até mesmo mudanças de comportamento. Isso acontece também porque cães e gatos expressam a dor de formas diferentes.

Enquanto o cão costuma demonstrar limitações em atividades compartilhadas com o responsável, como passeios e brincadeiras, o gato pode reorganizar toda a rotina sem mancar ou apresentar sinais evidentes.

Os sinais em cada espécie

Nos cães, os primeiros indícios podem surgir na hora de se levantar após o repouso, subir escadas, entrar no carro ou acompanhar o ritmo habitual dos passeios. Alguns passam a caminhar mais devagar, interrompem o trajeto, evitam correr ou transferem o peso para um lado específico do corpo.

“A intensidade dos sinais pode variar ao longo do dia. Há cães que demonstram maior rigidez depois de períodos de repouso e melhoram após alguns minutos de movimento. Outros apresentam piora em dias mais frios ou após esforço acima do habitual”, explica Marcella Vilhena, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal.

Nos gatos, é preciso observar principalmente a relação com o ambiente. Um felino que antes saltava diretamente para uma janela pode começar a usar móveis intermediários ou abandonar o local. Outros passam a dormir mais perto do chão, evitam brincadeiras que envolvem perseguição e demonstram irritação ao serem tocados ou carregados.

A higiene é outro indicador importante nos felinos. O desconforto na coluna, nos quadris ou nos membros pode dificultar que o animal alcance a região lombar e a parte posterior do corpo, deixando a pelagem desalinhada. Na caixa de areia, bordas altas e a necessidade de agachar também podem se tornar obstáculos, favorecendo eliminações fora do local habitual.

Esses comportamentos isolados não confirmam um problema articular, mas mudanças persistentes devem ser investigadas pelo médico-veterinário. Vídeos gravados em casa, por exemplo, podem contribuir para a avaliação, já que alguns animais se movimentam de maneira diferente no consultório.

Dor articular não é apenas consequência da idade

Embora as alterações articulares sejam mais frequentes em animais idosos, elas também podem atingir pets jovens. Excesso de peso, traumas, alterações ortopédicas, predisposição genética e atividades físicas incompatíveis com o condicionamento do animal estão entre os fatores que merecem atenção.

O peso corporal, por exemplo, tem impacto direto na mobilidade. Além de aumentar a carga sobre as articulações, o excesso de gordura pode dificultar a prática de exercícios. Quando sente dor, o animal tende a se movimentar menos, perde massa muscular e encontra ainda mais dificuldade para realizar suas atividades, formando um ciclo de limitação progressiva.

“O diagnóstico considera histórico, exame físico e ortopédico, observação da marcha e, quando necessário, exames de imagem. A partir dessa avaliação, o médico-veterinário pode combinar controle do peso, tratamento da dor, fisioterapia, atividade física adaptada e mudanças no ambiente”, detalha Marcella.

A adoção de medidas simples, como pisos antiderrapantes, rampas e camas de fácil acesso, pode ajudar cães com problemas de locomoção. Para os gatos, caixas de areia com entrada baixa, plataformas intermediárias e pontos de descanso acessíveis reduzem a necessidade de saltos altos sem impedir a exploração da casa.

Além disso, a suplementação pode ser uma aliada quando associada a esse conjunto de cuidados. Entre os nutrientes utilizados para a saúde articular estão o ômega-3 com EPA e DHA e o colágeno tipo II não desnaturado.

EPA e DHA são ácidos graxos que compõem o ômega-3. No contexto articular, participam da modulação das respostas inflamatórias do organismo e podem contribuir para o conforto e a mobilidade.

Um estudo com cães diagnosticados com osteoartrite observou melhora no apoio do membro afetado após o consumo de uma dieta suplementada com ômega-3 proveniente de óleo de peixe. O resultado reforça o potencial de EPA e DHA como aliados no cuidado articular, sempre associados ao acompanhamento veterinário (Roush et al., 2010).

Já o colágeno tipo II não desnaturado atua por outro mecanismo e pode auxiliar na manutenção da saúde e da função das articulações.

“O suporte nutricional é um aliado, mas não atua de forma isolada. Ele deve fazer parte de um plano que considere as necessidades individuais do pet. O objetivo é preservar o movimento e permitir que o animal continue realizando atividades importantes para sua qualidade de vida”, afirma a profissional.

Reconhecer precocemente os sinais de desconforto e buscar avaliação antes que a limitação comprometa de forma mais intensa a rotina amplia as possibilidades de cuidado. “A atenção não deve estar apenas na presença de claudicação, mas em qualquer mudança persistente na maneira como o pet circula pela casa, interage e realiza suas atividades habituais”, reforça Marcella.

Na prática, preservar a saúde articular significa manter o pet participando da própria rotina, seja acompanhando um passeio, subindo em seu lugar favorito ou explorando a casa com independência.

Referência

ROUSH, James K. et al. Evaluation of the effects of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on weight bearing in dogs with osteoarthritis, 2010

Fonte: Avert Biolab Saúde Animal.

ImpulsoVet

Revista Eletrônica Médica Veterinária.