O iliopsoas é um dos músculos mais importantes para quem monta a cavalo.

Ele é o grande flexor de quadril, responsável por trazer o joelho em direção ao tronco. Apesar de pouco lembrado, exerce enorme influência na forma como nos movemos e, principalmente, em como nos conectamos com o cavalo.
Esse músculo profundo atravessa o quadril, ligando a coluna lombar ao fêmur. Por estar numa região estratégica, ele atua diretamente na postura em pé, na caminhada e, claro, no assento do cavaleiro. É como uma ponte entre o centro do corpo e as pernas, determinando se o movimento será fluido ou bloqueado.
O grande problema é que o iliopsoas encurta com facilidade. Nossa rotina moderna favorece isso: longas horas sentados no carro, no trabalho, em frente ao computador. No caso das mulheres, o uso frequente de salto alto intensifica ainda mais a tensão, deixando o músculo constantemente contraído.
E o que acontece quando o iliopsoas está encurtado? O cavaleiro tende a se sentar sobre o púbis, o que causa dor e desconforto, ou adota a postura “de cadeira”, apoiando o peso nos bolsos da calça. Ambas as posições bloqueiam a ação livre do quadril. E quando o quadril não se move, ele não consegue acompanhar o cavalo em nenhum andamento — passo, trote ou galope.
Isso não significa que quem tem iliopsoas encurtado não pode montar. Significa que é preciso conhecer suas próprias limitações, identificar os pontos em que o corpo restringe o movimento e adaptar a biomecânica. É justamente aí que entra a beleza da biomecânica do cavaleiro: compreender que todos nós temos encurtamentos e compensações, mas sempre existe um caminho para recuperar a naturalidade.
Montar bem não é estar perfeito. É aceitar o corpo que você tem hoje, aprender a respeitá-lo e ajustá-lo para que a conexão com o cavalo seja real. Quando entendemos isso, cada cavalgada deixa de ser uma luta contra o próprio corpo e passa a ser uma experiência de harmonia, suavidade e eficiência.
Mayara Verde.







