Alterações no fígado de cães e gatos: como a alimentação pode ajudar no cuidado?

Proteínas, gorduras e suplementação podem fazer parte do manejo nutricional em hepatopatias, sempre de forma individualizada e com orientação veterinária.
Quando um cão ou gato começa a comer menos, fica mais quieto ou apresenta episódios recorrentes de vômito, é comum que o responsável pense primeiro em um desconforto digestivo passageiro. O que nem sempre fica evidente é que esses sinais também podem estar relacionados ao fígado, órgão que participa diretamente do aproveitamento dos nutrientes, da produção da bile e do processamento de substâncias que precisam ser eliminadas pelo organismo.
As hepatopatias, nome dado às doenças que acometem o fígado, pode ter origens variadas, como processos inflamatórios, intoxicações, infecções, alterações metabólicas, acúmulo de gordura no órgão e doenças crônicas. Em alguns pets, a suspeita surge apenas em exames de rotina, antes mesmo que os sinais clínicos sejam percebidos em casa.
Segundo Lucas Piza, médico-veterinário e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal isso acontece porque o fígado tem grande reserva funcional. “O fígado consegue compensar parte das alterações por algum tempo, o que pode atrasar a percepção dos sinais clínicos. Por isso, quando há suspeita de hepatopatia, a avaliação não deve considerar apenas os sintomas visíveis, mas também exames laboratoriais, uso de medicamentos e avaliação nutricional”, explica.
Nas hepatopatias devemos oferecer o aporte ajustado de calorias, macro e micronutrientes a fim de evitar a sobrecarga metabólica e complicações, sempre respeitando as particularidades da espécie afetada, estado nutricional, aceitação alimentar e as modificações nutricionais exigidas por cada doença e possíveis comorbidades. Portanto a nutrição deve ser individualizada e fazer parte de uma estratégia integrada, que inclui o fornecimento do alimento adequado, em quantidades suficientes para suprir as necessidades nutricionais, e nutracêuticos para oferecer suporte à recuperação hepática, sem substituir o tratamento da causa base.
Em muitas hepatopatias, o organismo passa por maior estresse oxidativo e demanda metabólica aumentada. Nesse contexto, nutrientes que participam de mecanismos antioxidantes e de proteção celular podem ser considerados pelo médico-veterinário.
Entre eles está a S-adenosil-L-metionina, conhecida como SAM-e, composto envolvido em várias reações metabólicas importante e na síntese de moléculas antioxidantes, com relevância para a função e saúde hepática.
“A suplementação não deve ser vista como uma medida isolada, mas como parte de uma estratégia integrada. Ela pode auxiliar funções importantes do organismo, desde que esteja associada ao acompanhamento veterinário, à dieta adequada e ao tratamento da condição de base”, afirma Lucas.
O que o responsável deve observar em casa?
Como as alterações hepáticas podem se desenvolver com sinais discretos, observar pequenas mudanças na rotina é uma das formas mais importantes de proteger a saúde do pet. Redução do apetite, vômitos frequentes, perda de peso, apatia, alteração nas fezes, aumento da sede, urina mais escura e coloração amarelada nos olhos, na pele ou na gengiva são sinais que exigem avaliação veterinária.
Também é importante prestar atenção à relação do animal com a comida. Pets com doenças hepáticas podem apresentar enjoo, seletividade alimentar, recusa súbita de alimentos que antes aceitavam bem ou dificuldade para manter uma ingestão adequada ao longo do dia. Essas informações ajudam o médico-veterinário a entender a evolução do quadro e ajustar a conduta.
“O responsável tem um papel essencial porque acompanha o comportamento do animal no ambiente em que ele vive. Mudanças no apetite, na disposição, no peso e na rotina digestiva fornecem pistas importantes para a avaliação clínica”, reforça Lucas.
Em alguns casos, o cuidado pode envolver fracionamento das refeições, controle de náuseas, ajustes na composição da dieta, uso de suplementos específicos e monitoramento periódico por exames. O plano pode mudar ao longo do tempo, conforme a resposta do animal e a evolução da doença.
Mais do que seguir uma conduta única, o manejo das hepatopatias exige olhar para o paciente como um todo.
Quando identificadas e acompanhadas adequadamente, muitas alterações hepáticas podem ser manejadas com mais segurança, ajudando a preservar o bem-estar e a qualidade de vida dos pets. Para o responsável, a principal orientação é não normalizar sinais persistentes e buscar avaliação veterinária sempre que houver mudança no apetite, no comportamento ou na rotina digestiva do animal.
A nutrição, nesse contexto, deixa de ser apenas parte do dia a dia e passa a atuar como uma ferramenta importante de cuidado, ajudando o organismo a enfrentar melhor os desafios impostos pelas doenças hepáticas.
Fonte: Avert Biolab Saúde Animal.







