Cair faz parte”? Será mesmo?

Cair faz parte”? Será mesmo?

“Só não cai quem não monta.”
Essa é uma das frases que mais escutei — e também já repeti muitas vezes ao longo da minha vida.

É claro que, quando estamos em cima de um cavalo, estamos expostos a riscos.
O cavalo pode tropeçar, se assustar, uma barreira pode estourar.
Acidentes acontecem — e fazem parte da equitação.

Mas o que mais vejo nas pistas, nas aulas e nas fazendas não são acidentes… são imprudências.

Imprudência de quem monta sem ajustar o estribo corretamente.
Imprudência de quem não confere a sela.
De quem não sabe usar as rédeas de emergência.
Ou simplesmente de quem nunca aprendeu a observar o comportamento do cavalo antes de montar.

E o pior: imprudência de instrutores que não têm base técnica para ensinar postura, equilíbrio e segurança — pilares que deveriam ser inegociáveis na equitação.

A equitação é uma arte.
E como toda arte, exige fundamento.
Atitudes mentais, biomecânica, comunicação com o cavalo e compreensão da sua natureza — os quatro pilares que sustentam a Equitação Fundamental.

E tem mais: quando a queda acontece, o corpo se recupera, mas a mente nem sempre.
Quantas pessoas você conhece que deixaram de montar por causa de um trauma?
Quantas vezes a dor emocional foi maior do que o tombo em si?

Cair pode acontecer, sim.
Mas cair por imprudência não deveria.

Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.