Esse é um assunto que volta e meia reaparece por aqui.

Esse é um assunto que volta e meia reaparece por aqui.
E por mais que eu já tenha falado dele outras vezes, continuo vendo o uso indiscriminado do velcro em crianças dentro do universo equestre — o que me preocupa profundamente.
Como fisioterapeuta, classificadora funcional internacional e steward da FEI, preciso levantar esse alerta com clareza.
No esporte paraequestre — voltado para pessoas com deficiência — o uso do velcro é autorizado, sim. Mas ele não é uma adaptação qualquer. É uma ajuda compensatória prescrita com base em avaliação funcional criteriosa. Ele entra na master list do atleta com especificações técnicas: tamanho certo, fixação correta, colocação padronizada. Antes de cada competição, o steward testa o velcro para garantir que ele se solte em caso de queda. Segurança é princípio básico.
Mas o que tenho visto, infelizmente, é o oposto disso:
➡️ Crianças sem deficiência usando velcro em modalidades como os três tambores;
➡️ Equipamentos que não passam por testes de segurança;
➡️ E pouca (ou nenhuma) consciência dos pais e treinadores sobre o risco real envolvido.
E aqui deixo algumas perguntas que todos nós deveríamos nos fazer:
🔹 Esse velcro que você está usando foi projetado para abrir com facilidade em uma queda?
🔹 Uma criança tem força ou peso suficiente para romper esse velcro, caso algo aconteça?
🔹 E o mais importante: por que essa criança precisa estar presa ao cavalo para conseguir montar?
Será que ela está realmente pronta para o que está fazendo?
No regulamento da FEI, é proibido estar preso à sela. Isso vale para todos. Porque, em caso de queda, uma criança presa ao cavalo pode ser arrastada, esmagada ou sofrer lesões graves.
Aos pais: entendam o que está sendo proposto ao seu filho.
Aos treinadores: busquem conhecimento técnico antes de adotar recursos que parecem inofensivos.
Nem tudo que “ajuda” na performance é seguro.
Nem todo recurso que facilita, educa.
E nenhuma medalha vale mais do que a integridade física de uma criança.
Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.