O olhar do cavalo não atravessa apenas os olhos — ele atravessa a alma.

O olhar do cavalo não atravessa apenas os olhos — ele atravessa a alma.
Há algo no olhar dos cavalos que não se explica.
É profundo sem ser invasivo.
É doce sem ser frágil.
É verdadeiro sem precisar de palavras.
Quando um cavalo nos olha, ele não julga.
Ele percebe.
Percebe a nossa presença, a nossa intenção, o nosso estado interno.
Por isso, esse olhar toca tão fundo.
Os cavalos não se relacionam com máscaras.
Eles respondem ao que é real.
Talvez por isso seus olhos carreguem essa profundidade silenciosa —
eles veem além do gesto, além da postura, além do que tentamos aparentar.
Há doçura porque há ausência de malícia.
Há verdade porque não há estratégia.
Há profundidade porque existe presença.
O olhar do cavalo convida ao silêncio.
À pausa.
Ao encontro com aquilo que somos quando não precisamos provar nada.
E quem sustenta esse olhar, por alguns segundos, entende:
não é o cavalo que está sendo observado.
Somos nós.
Mayara Verde.

Mayara Verde

Fisioterapeuta, Instrutora de equitação, docente, palestrante, pós graduada (USP), Steward FEI nos Jogos Paraolímpicos 2016, CBH, licenciada ANDE Brasil, ministra cursos IMV, FP Hipismo e CP de Hipismo.