Ferramenta em teste na Fazenda Experimental da ABCZ utiliza biometria para identificar bovinos.

Ferramenta em teste na Fazenda Experimental da ABCZ utiliza biometria para identificar bovinos.

Uma fotografia do espelho nasal do zebuíno, região do focinho que possui características únicas, assim como a impressão digital humana, pode ser suficiente para identificar um animal durante toda a vida. A tecnologia, já utilizada na África, começou a ser testada no Brasil e tem na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) um dos principais parceiros para a validação da ferramenta.

Os testes estão sendo realizados na Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Júnior, em Uberaba (MG), com animais que participam do projeto AquaBoi. Por meio de um aplicativo, o criador fotografa o espelho nasal do animal e, em poucos segundos, a imagem é processada e vinculada às informações do exemplar. A plataforma reúne os dados do rebanho e pode emitir um certificado de identificação, contribuindo para o controle zootécnico, a gestão da propriedade e a rastreabilidade.

A tecnologia chega em um momento estratégico para a pecuária brasileira. “Nós temos um cenário muito imediato de um mercado europeu exigindo cada vez mais rastreabilidade. Ao mesmo tempo, o Governo Federal implantou o Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, que tem como meta cadastrar todo o rebanho nacional até 2032. É um desafio enorme, e tecnologias como essa podem contribuir significativamente”, destaca o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antônio Josahkian.

“Cada vez mais o produtor precisa atender exigências relacionadas à rastreabilidade. Essa é uma ferramenta inequívoca e complementar aos métodos já utilizados. A marca pode ser sobreposta e o brinco pode cair, mas as características do espelho nasal acompanham o animal durante toda a vida, da mesma forma que a nossa impressão digital”, explica o sócio da Data Experience, Alberto Borges.

Para validar a tecnologia em diferentes condições de manejo, a empresa buscou parcerias com universidades, criadores e entidades de todo o país. De acordo com Alberto, a participação da ABCZ é fundamental nesse processo. “A ABCZ tem importância central para nós por ser a maior entidade representativa dos criadores de Zebu. Ela conhece as demandas do setor, possui um corpo técnico altamente qualificado e faz a interlocução entre quem desenvolve a tecnologia e quem está no campo”.

Ainda não há previsão para que a biometria esteja disponível comercialmente. A expectativa é que os testes permitam aprimorar a ferramenta, tornando-a ainda mais prática, precisa e adaptada à realidade dos produtores. Entre os aperfeiçoamentos em desenvolvimento estão a ampliação das informações disponíveis no aplicativo e a redução do impacto da coleta de dados durante o manejo dos animais.

“Quando você consegue comprovar, a qualquer momento, que determinado animal existe e pode ser identificado de forma segura, cria-se um novo patamar de confiança. Isso pode transformar a relação do produtor com instituições financeiras, governo, mercado e até mesmo a gestão da própria fazenda”, finaliza Josahkian.

Fonte: ABCZ.

ImpulsoVet

Revista Eletrônica Médica Veterinária.